PF avalia pedir prisão preventiva de Flávio Bolsonaro após fuga


PF estuda decretação de prisão e congelamento de ativos por "asfixia financeira"; deputados governistas exigem inclusão do parlamentar na lista vermelha da polícia internacional.
BRASÍLIA — A ida em segredo do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota nas urnas gerou uma forte reação política e jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante do descumprimento de medidas cautelares, a bancada de deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou petições urgentes para que o ministro Alexandre de Moraes decrete a prisão preventiva do parlamentar e acione a Interpol.
Em paralelo, a Polícia Federal (PF) analisa estratégias de "asfixia financeira" e avalia os desdobramentos operacionais da permanência do senador no exterior.
Ofensiva governista no Judiciário
A petição foi apresentada pelos deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG). Os parlamentares sustentam que a saída do país via fronteira terrestre com a Argentina, seguida do embarque em um jatinho particular, configura manobra deliberada para se esquivar da Justiça.
A peça jurídica solicita ao ministro Alexandre de Moraes:
Prisão Preventiva: Expedição imediata de mandado de detenção por descumprimento injustificado das cautelares fixadas pelo STF.
Notificação Vermelha da Interpol (Red Notice): Inclusão do nome do senador na lista internacional de procurados, alertando autoridades globais para sua prisão e posterior extradição.
Difusão Azul: Cadastro de alertas no sistema migratório internacional para mapear os deslocamentos do investigado.
Manifestação da PGR: Requerimento para que a Procuradoria-Geral da República emita parecer urgente sobre o pedido de custódia.
A estratégia da "Asfixia Financeira"
Com o senador já em solo americano, investigadores e analistas avaliam que uma ordem de prisão emitida pelo Brasil possui eficácia prática limitada em um primeiro momento. O governo dos Estados Unidos confirmou ter autorizado a concessão de visto para o parlamentar, o que torna qualquer tentativa de extradição um processo longo, que dependerá da disposição diplomática e judicial de Washington.
Diante desse cenário, a Polícia Federal prioriza a estratégia de asfixia financeira. O objetivo é solicitar o congelamento imediato de bens, contas bancárias e ativos do senador no Brasil — medida semelhante à tomada contra o advogado Willer Tomaz, também investigado no mesmo inquérito. A intenção das autoridades é inviabilizar o suporte econômico e forçar o regresso do parlamentar.
Entenda o Inquérito
Flávio Bolsonaro é investigado sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas operado por meio de plataformas de apostas esportivas (bets).
O senador havia sido intimado pela PF a entregar todos os seus passaportes (comum e diplomático) dentro do prazo de 24 horas e estava proibido de deixar o país e de manter contato com outros alvos do processo. Como os documentos não foram entregues dentro do prazo legal, a PF efetuou o cancelamento formal dos passaportes em seus sistemas.




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